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Santa Marta: “O cristianismo é uma religião do fazer. Do contrário, é fingimento”

24/02/2016

O papa desmascara os que se dizem cristãos, mas não têm tempo para brincar com os filhos ou abandonam os pais em asilos de idosos: a deles é uma religião “do dizer”, como a dos fariseus

 

 

 

 

Entre o dizer e o fazer existe um abismo que põe em risco toda a validade da religião cristã. E o papa Francisco o abordou na missa desta manhã em Santa Marta, desmascarando quem esconde o rosto de Deus que deveria se refletir em cada cristão.

 

Deus “é concreto”; muitos cristãos não, diz o papa: são “cristãos de mentira”, que praticam uma “religião do dizer”, feita de hipocrisia e de vaidade. Comentando a liturgia do dia, o papa destacou a passagem do profeta Isaías, que se entrelaça com a do Evangelho de Mateus, para explicar mais uma vez a “dialética evangélica entre o dizer e o fazer”.

 

O Santo Padre foca nas palavras de Jesus, que, aos discípulos e à multidão que o seguia, exortou a observar os ensinamentos dos escribas e fariseus, mas a não imitar o seu comportamento embebido em hipocrisia. “O Senhor nos indica o caminho do fazer”, diz Bergoglio. Quantas vezes encontramos pessoas, na igreja, que dizem: “Ah, eu sou tão católico!” – mas, depois, o que eles fazem?

 

E tantos “pais que se dizem católicos, mas nunca têm tempo para conversar com seus filhos, brincar com seus filhos, ouvir os seus filhos”! Talvez, eles sejam os mesmos que “mantêm seus pais em asilos, mas estão sempre ocupados demais, nunca podem visitá-los e os deixam abandonados”. Mesmo assim, lá estão eles exclamando: “Eu sou muito católico! Eu pertenço à associação tal…”.

O papa prossegue: “Esta é a religião do dizer: eu digo que sou assim, mas o que faço é mundanismo”. Uma religião que, basicamente, “é uma fraude”, porque é a religião do “dizer e não fazer”. Fazer o quê? Fazer o que diz o profeta Isaías, explica Francisco: “Cessai de fazer o mal, aprendei a fazer o bem… Socorrei os oprimidos, fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva”.

Fazer, em suma, todas as ações que mostram a misericórdia do Senhor, que “vai ao encontro daqueles que se atrevem a discutir com Ele, mas a discutir sobre a verdade, sobre as coisas que faço ou deixo de fazer, para me corrigir”. E, “nesta dialética entre as palavras e as ações, está o grande amor do Senhor”.

 

Ser cristão “significa fazer”: “fazer a vontade de Deus”. “No último dia, porque todos nós vamos ter um, o que o Senhor nos perguntará? Ele vai nos perguntar: ‘O que disseste sobre mim?’. Não! Ele vai nos perguntar o que fizemos!”, lembra o papa.

 

E cita o Evangelho de Mateus, que, ao falar do juízo final, avisa que Deus nos pedirá contas do que tivermos feito pelos que têm fome, sede, pelos encarcerados, pelos estrangeiros. “Esta é a vida cristã”, insiste o papa. “Por outro lado, só dizer nos leva à vaidade, a fingir que somos cristãos. Mas não: não se é cristão desse jeito”.

 

O papa espera “que nosso Senhor nos dê a sabedoria de entender onde está a diferença entre dizer e fazer; que Ele nos ensine a fazer e nos ajude a seguir por essa estrada, porque a estrada do dizer nos leva para onde estavam aqueles doutores da lei, aqueles clérigos que gostavam de se vestir como se fossem majestades”.

 

“E esta não é a realidade do Evangelho! Que nosso Senhor nos ensine essa estrada”.

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