google-site-verification=t0RqaUFOILcT8EBxg1NEFiP7WVYlBg00uilQ2klT440 DIOCESE DE RUBIATABA

Santuário Diocesano 

Mãe de Deus

"Eis aqui a Serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra" Lc 1,38

O Reitor

      Deus nas alturas, onde sua Divina Providência edificou o Santuário Diocesano Mãe de Deus, nos convida a subir o seu monte e permanecer em seu santuário, mas quem de nós será digno de percorrer este íngreme caminho e chegar às alturas de seu santuário? O salmista nos responde: “O que tem mãos limpas e o coração puro, cujo espírito não busca as vaidades, nem perjura para enganar seu próximo. Este terá a benção do Senhor e a recompensa de Deus, seu salvador” (Sl 23,4-5).

 

"Fazei tudo o que Ele vos disser"  Jo2,5

Palavra do Reitor do Santuário

Apresentação de Nossa Senhora

No dia 21 de novembro lembramos o dia em que a Santíssima Virgem Maria foi apresentada por seus pais, São Joaquim e Santa Ana, a apresentaram ao Senhor no Templo de Jerusalém e dedicaram sua vida a Ele. Em sua Imaculada Conceição[1] Maria já havia sido escolhida por Deus, preservada por uma graça singular como um vaso escolhido através do qual o Verbo Encarnado seria dado para a salvação do mundo inteiro. No entanto, a oferta de seus pais é uma resposta ao convite para participar de nossa livre escolha ao chamado de Deus. Este exercício de liberdade está no coração do autentico discipulado, e é o núcleo interno de toda vocação, para assim cooperar com a graça.

Esta bela festividade cuja crença remonta a antiguidade cristã é celebrada liturgicamente no Ocidente como a “Apresentação de Nossa Senhora” e no Oriente com a “Entrada da Santíssima Thetokos no Templo”, portanto celebrada pela Igreja Católica, inclusive as de tradição oriental, e pela Igreja Ortodoxa.

Uma antiguíssima tradição relatada no Evangelho Apócrifo de Tiago, escrito por volta de 200 d.C., conta que os referidos pais de Nossa senhora que não podiam ter filhos, receberam uma mensagem de que teriam um filho. Como agradecimento pela graça da filha que lhes veio, eles a levaram ainda pequena para o Templo em Jerusalém para consagrá-la a Deus. Versões posteriores da história nos conta que Maria foi levada para o Templo com cerca de três anos de idade para cumprir uma promessa e ali permaneceu para se preparar para o seu futuro e digníssimo ministério de ser a Theotokos, a Mãe de Deus. Sobre este significativo fato da vida da Virgem Maria, a bem aventurada serva de Deus, Anna Catharina Emmerich relata de suas místicas visões: “Maria tinha três anos e três meses quando fez o voto de associar-se às virgens santas que se dedicavam ao serviço do Templo. Antes da partida, fizeram na casa paterna uma grande festa, à qual estiveram presentes cinco sacerdotes, que sujeitaram Maria a uma espécie de exame, para ver se já chegara a idade de juízo e madureza de espírito, para ser admitida no Templo Disseram-lhe que os pais tinha feito por ela o voto que não devia beber vinho ou vinagre, nem comer uvas ou figos. Maria ainda acrescentou que não comeria peixe, nem especiarias, nem frutas, senão uma espécie de pequenas bagas amarelas, que não beberia leite, dormiria na terra e se levantaria três vezes durante a noite para rezar. Os pais de Maria ficaram muito comovidos com estas palavras. Joaquim abraçou a filha, exclamando, entre lagrimas: “Oh minha querida filha, isto é duro demais se assim queres viver, teu velho pai não te verá mais”. Foi um momento de profunda comoção. Os sacerdotes porém disseram que se devia levantar só uma vez para oração, como as outras virgens, juntando ainda outras circunstâncias atenuantes, como, por exemplo, que devia comer peixe nas grandes festas [...]. Joaquim e Ana viajaram para Jerusalém. Em procissão solene foi a menina introduzida no Templo; depois de oferecido um sacrifício, erigiu um altar por baixo de um portal. Maria ajoelhou-se nos degraus, enquanto Joaquim e Ana lhe puseram as mãos na cabeça, proferindo orações de oferecimento. Um sacerdote cortou-lhe então um anel de cabelo, queimou-o num braseiro e vestiu-a de um véu pardo. Dois sacerdotes conduziram Maria muitos degraus para cima, à  parede divisória que separa o Santo do resto do Templo e colocaram-na num nicho, do qual se via o templo, em baixo. Depois um sacerdote ofereceu incenso no altar próprio. “Vi brilhar sob o Coração de Maria uma auréola de glória e soube que continha a promissão, a benção santíssima de Deus. Essa auréola aparecia como que cercada pela arca de Noé, de modo que a cabeça da Santíssima Virgem sobressaía acima da arca. Depois vi a figura da arca de Noé transformar-se na Arca da Aliança, cercada pela aparição do Templo. Então vi desaparecer essas formas e sair da auréola brilhante a figura do cálice da última ceia, diante do peito de Maria, aparecendo-lhe diante da boca um pão assinalado com uma cruz. Dos lados lhe emanavam numerosos raios de luz, em cujas extremidades apareciam muitos mistérios e símbolos da SS. Virgem, como por exemplo, os nomes da Ladainha de N. Senhora, em figuras. Do ombro direito e do esquerdo cruzavam-se dois ramos de oliveira e cipreste sobre uma palmeira pequena, que vi aparecer atrás de Maria. Entre esses ramos vi as formas de todos os instrumentos da paixão de Jesus. O Espírito Santo, com asas  luminosas, parecendo mais figura de homem do que de pomba, pairou sobre a aparição. No alto vi o céu aberto, com Jerusalém aquela  celeste no centro, com todos os palácios, jardins e habitações dos futuros santos; tudo estava cheio de Anjos; também a auréola de glória que cercava Maria, estava cheia de cabeças de Anjos. Então desapareceu a visão gradualmente, como aparecera. Por fim vi somente o esplendor sob o Coração de Maria e luzir nele a benção da promissão. Depois desapareceu também essa visão e vi apenas a Santa Menina, consagrada ao Templo, guarnecida de seus adornos, sozinha entre os sacerdotes”. Maria despediu-se dos pais e foi entregue as mestras”[2]. Estas maravilhosas visões nos remetem a meditar sobre a grandeza e, aos olhos humanos, a paradoxal humildade da Mãe do meu Senhor (Lc 1, 43) e, por conseguinte, como membros da Igreja que somos, o Corpo Místico do Senhor, nossa bondosa e grandiosa Mãe!

Referindo sobre a infância[3] de Maria no santo Templo de Jerusalém, São Boaventura nos fala de firmes propósitos da serva Senhor que são uma lição de fé para todos nós frente a reinante tibieza de nossos tempos e ao mesmo tempo lugar onde certamente encontraremos algum pedido no qual temos real necessidade de suplicarmos ao Senhor: “Maria fazia oração sete vezes ao dia e que nessas orações fazia sete suplicas: 1º Ama-lo com todo coração, 2º Amar o próximo em deus e por Deus, 3º Ter um ódio implacável a todo pecado e a toda imperfeição, 4º Uma humildade profunda e com todas as virtudes, especialmente a pureza imaculada, 5º A graça de poder conhecer o Messias prometido, 6º Ser muito obediente aos sacerdotes representantes de Deus, e deixar-se dirigir por eles para assim fazer sempre a Sua divina vontade, 7º Que o Senhor mandasse o quanto antes o Redentor para a salvação do mundo” [4].

 

A festa da Apresentação de Nossa Senhora que hoje celebramos enfatiza nossa resposta aos dons de Deus. Lembremo-nos da resposta dos pais de Maria em sua decisão de apresentá-la no Templo para a dedicação ao Senhor. Todos os pais são chamados a imitar sua resposta, apresentando seus filhos para o batismo. Também refletimos sobre o mistério da própria resposta contínua de Maria desde os seus primeiros dias aos convites da graça do Senhor. Sim, isso é verdadeiro, embora preservada livre da liberdade quebrada que é o fruto ruim do pecado original. Maria foi chamada a dar continuamente seu Yin[5], "Sim" aos convites de amor de Deus. Nesse contínuo "Yin" ela nos mostra como todos somos chamados a responder aos convites da graça em nossas próprias vidas à medida que vamos crescendo em santidade.

 

 

[1] Conceição. Termo do português antigo que significa hoje “concepção”, o momento em que o óvulo encontra com o esperma e da origem a vida. De acordo com a nossa Fé, é neste momento que Deus concede a alma aos corpos humanos e é também neste momento em que o “pecado original” é transmitido involuntariamente a todos os homens. Nossa Senhora, tendo em vista o projeto divino de ser a mãe do Salvador, foi preservada do pecado original.

[2] Emmerich, Anna Catharina, 1774-1824. Vida, paixão e glorificação de Deus: as meditações de Anna Catharina Emmerich. São Paulo: MIR Editora, 1996, pp.33-34.

[3] Segundo a tradição Nossa Senhora viveu no Templo dos três aos quinze anos de idade quando então foi desposada por São José.

[4]  Villar, Ildefonso Rodriguez. Pontos de Meditação sobre a Vida de Nossa Senhora. Porto: Livraria Figueirinhas, 1946, p. 75.

[5] Yin. Niy , “sim” em aramaico, a língua falada pelos judeus no tempos do Judaísmo Tardio, ou seja no tempo em que viveu a Virgem Maria.   

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As visitas ao Santuário Diocesano Mãe de Deus podem ser agendadas na Paróquia Nossa Senhora da Glória, de Rubiataba.